A memória trabalha muito para saber o exato momento do primeiro encontro, não chega, porém, é certo que acontece em Aracati, ela na Caixa Econômica Federal e eu em outro Banco da cidade, muito provável que este amor amigo tenha começado ali.
O tempo foi se encarregando de fazê-lo crescer, final dos anos 80 e início dos anos 90 eu era de uma vivência muito forte na Igreja Católica, daí era comum está em comunidades e bairros fazendo alguma pregação ou encontro, era comum,surpreender-me com aquele sorriso que preenchia todos os espaços, era ela, a encantadora Giselle.
Após, a surpresa da presença, e a pergunta: "Menina, o que tu estás fazendo aqui?" Era rápida a resposta: "Ouvi dizer que você viria e como sabe adoro ouvir suas palavras." O leitor percebe o que representava esta menina.
A vida é feita de encontros e partidas.
Um dia ela partiu, não teve despedida, poupou a mim e a muitos de ter também rios de lágrimas, era outro tempo, ainda não tínhamos a velocidade das Redes Sociais a nos unir.
Assim como tudo que vai um dia volta, ela também voltou.
Anos depois a reencontrei pela Internet, provável que ainda no velho e saudoso ORKUT. Pronto, ali sem que assinássemos um contrato ficava claro que dessa vez seria para sempre.
E foi.
É provável que nesses muitos anos de convivência virtual e alguns (embora poucos) encontros presenciais celebramos o mais lindo amor, aquele AMOR AMIGO que faz a gente ter a certeza que em algum lugar alguém lembra e vibra para que sejamos felizes.
Um dia, aquela voz doce e suave me dá a notícia de que estava doente.
A doença que antes me assustava, agora, em nada me amedrontava, de imediato citei talvez uma dúzia de amigas minha e outras tanto dela que tinham vencido a temida mazela.
Ao final, depois de meia dúzia de piadas e brincadeiras rimos juntos e prometemos está ainda mais próximos em preces e orações.
Foram dias de muita luta, dias de muitas renúncias, viagens, inquietações, porém, sem jamais perder um milímetro de esperança.
E nossa amizade só crescia, agora tinha um algo a mais, existia a Rádio do Bem que tocava as canções que ela gostava de ouvir.
Melhor não citar as músicas escolhidas sobre pena de ficar mais lágrimas no texto que o mesmo poderia receber.
Entretanto, sempre é necessário registrar que nunca mais a MARISA MONTE deu as caras por aqui que não trouxesse consigo a hoje encantada no jardim do céu, a minha e a de tantos Giselle Nóbrega.
Hoje, 03 de Julho é um dia de lembranças, devo escrever ao leitor que a lágrima que molha meu rosto tem menos de tristeza e muito de saudade, saudade de uma pessoa que precisava ser contida na arte de ser solidária aos menos favorecidos que ajudo, ela nunca veio a SOPA DO AMOR, não teve tempo, porém, não teve uma só noite de quinta-feira que ela ali não estivesse em boas ações.
Hoje, agradeço a DEUS ter por perto seu filho lindo, Daniel Albuquerque e sua generosa irmã Giselda Nóbrega, seu pai o Sr. João Veríssimo, os três me trazem esta menina para mais perto e assim como ela ajudam-me a ajudar, isto para mim é a certeza que a árvore da caridade desta minha amiga querida produziu frutos, cujos, colho com grande alegria.
Para finalizar uma estrofe da canção LENCINHO QUERIDO de Marisa Monte que ela ouvia para lembrar da mãe da mesma que adora esta canção:
"Meu lenço amigo, comigo ficou
Fiel companheiro, não me abandonou
Lencinho querido, que hei de fazer
Se aquele amor não posso esquecer?"
Amiga, o teu amor eu também jamais esquecerei, não guardo o teu lenço, guardo uma garrafa de vinho chamado CASAL GARCIA que você trouxe para mim e minha esposa, quando retornava de João Pessoa, cujo, imortalizado está, virou sacramento... Está em um local especial da minha casa para que cada vez que olhar para aquela garrafa plante uma nova semente no terreno fértil do meu amor amigo por esta menina que agora habita a Pátria Espiritual, porém, eternizou-se em uma das mais lindas lembranças que carrego em meu coração.