Redes Sociais

Nosso Whatsapp

 88 9 9475 7536

Encontre o que deseja

NO AR

A SAUDADE QUE FAZ BEM

    Brasil

Aproveitar a Vida

Publicada em 08/05/17 as 07:31h por Luiz Roberto Pires Domingues - 349 visualizações

Compartilhe
   
Link da Notícia:
 (Foto: Reprodução )
Desde há muito, quando ainda criança, eu costumava ouvir falar que as pessoas, de um modo geral, não sabiam aproveitar a vida, como se isso fosse uma qualidade concedida a cada um, que, por razões diversas, não estavam se utilizando do seu tempo adequadamente, para desfrutar plenamente desta oportunidade única, que é a vida. Na verdade, nunca consegui entender bem, até então, o significado desta afirmação. O que seria aproveitar a vida? Quais eram os parâmetros de avaliação para se saber se alguém estava ou não aproveitando bem a vida? Eu nunca soube, com clareza, quais eram esses medidores, para que pudéssemos fazer uma correta avaliação. Outrora as pessoas mais velhas viam nas fantásticas viagens de navio, atravessando o Atlântico rumo à Europa, com a duração de vinte a trinta dias, como o símbolo máximo de aproveitamento do que a vida tem de melhor.

Ouvi por muitos anos algumas delas falarem que fulano e beltrano sabiam aproveitar a vida, quando se referiam às suas constantes viagens, às sucessivas festas das quais participavam semanalmente, às farras que se faziam com várias meninas de programa, e até mesmo o grande número de namoradas que tinham em tão pouco tempo. Para essas pessoas, aproveitar a vida era isso, eram essas extrapolações ao cotidiano de uma pessoa normal. Lembro-me perfeitamente de algumas afirmações. Cicrano não aproveitava nada da vida, porque não saía de casa; vivia grudado na saia da mãe. O pai trabalhava como um condenado, para sustentar o filho, e não tinha tempo de aproveitar, e de curtir a vida.

Mas o que seria de fato aproveitar a vida? Seria passar a vida inteira viajando, trocando de mulheres, ou se drogando? O que é isso afinal? Se fosse realmente viajar, como passaria pela vida aquele que definitivamente não gostasse de viajar? Seria ele o então símbolo maior de alguém que por aqui passou, sem nada aproveitar dela? 

A conotação de bem aproveitar a vida evidentemente não é, e nunca foi essa. Na verdade, essa é a concepção de quem está fazendo uma avaliação, e não de quem está sendo avaliado. Para o julgador anônimo, o conceito de tirar proveito da vida está na realização dos seus sonhos pessoais. Ele é que gostaria de fazer tudo aquilo que considera ser importante, para atingir esse objetivo, o seu objetivo, o seu sonho pessoal.

Aproveitar a vida, no entanto, é um conceito muito mais profundo e muito mais amplo do que se simplesmente se encontrar em situações excepcionais como essas. Caso contrário, não seria possível a pessoas humildes e simples, e sem maiores recursos, almejá-la. É possível e até muito provável que grande parte da população julgue-se incapaz disso; julgue-se impossibilitado de aproveitar melhor a vida. É possível, e talvez muito natural. Mas, de um modo geral, esta simples afirmação não é verdadeira.

Imagine-se, por exemplo, um tenista que adora jogar tênis e, de fato, consegue fazer isso oito horas por dia, de segunda a segunda. Faz aquilo que realmente gosta, e pode fazê-lo a maior parte do seu tempo. Imagine também uma professora que tem verdadeira paixão por alfabetizar crianças, e faz isso todos os dias, ocupando todo o seu tempo disponível nessa atividade, para ela, muito prazerosa. Essas pessoas são completamente felizes, ocupando a maior parte do seu tempo fazendo exatamente aquilo de que mais gostam de fazer. Esta professora e este tenista podem até gostar de viajar, mas se realizam mesmo quando fazem o que de fato tem amor em fazê-lo. Farão isso a vida inteira, e jamais se cansarão. Provavelmente fariam também algumas viagens, mas, com certeza, se cansariam delas em curto espaço de tempo, como algo que se tornaria, para elas, extremamente enfadonho Sentiriam, no fundo, a falta do exercício da alfabetização, e da prática do tênis.

O verdadeiro conceito de aproveitar bem a vida é passar por ela, fazendo realmente o que mais se gosta de fazer, por mais simples que seja. Significa ter oportunidade de passar grande parte do tempo lendo livros, assistindo filmes, fazendo cirurgias, dirigindo carros ou caminhões, viajando, fazendo palestras, proferindo aulas, gastando dinheiro, tomando banho-de-mar, dirigindo empresas, cuidando de crianças, pintando quadros, contemplando a natureza, fotografando, desde que tudo isso seja de fato algo realmente prazeroso para cada um. Isso é o que pode levar uma pessoa a se auto avaliar, e dizer se está ou não aproveitando a vida, no seu melhor sentido, de aproveitar aquilo que ela lhe oferece em função do seu gosto pessoal.

Alguém certa vez, me disse que tomar um sorvete chicabon era a melhor forma de aproveitar o que a vida tinha a lhe oferecer. Era o seu maior desejo. Nada de viagens, pois se cansava muito com elas, e nada de casas grandes, fazenda, ou seja lá o que for, mas sim poder tomar o seu picolé de chocolate. Simples. Se ele não pudesse fazer isso todos os dias, com certeza, a vida não teria nenhum sentido, e ele se sentiria muito infeliz. A sua satisfação de verdade era essa. Suas ambições eram bem modestas, mas lhe satisfaziam plenamente.

Com certeza, fazer o que mais gosta a maior parte do tempo, e ser feliz assim é o que se tem de mais relevante, para se avaliar se estamos ou não aproveitando o que a vida tem de bom a nos oferecer. É um conceito e uma avaliação extremamente pessoal. O que para um pode ser muito prazeroso, para outro pode ser tedioso. Tudo nesta vida é relativo, e nada é absoluto.

Apreciá-la por estas belas e profundas reflexões inclusive é com certeza uma das formas de aproveitar os seus ensinamentos, a sua mensagem, o seu conteúdo. Não existe um conceito geral, mas exclusivamente pessoal. Cada um tem um modo seu de ver e de aproveitar a vida, inigualável, que pode até eventualmente coincidir com o de outrem. Os valores de cada um podem se diferenciar bastante, e o que traz a felicidade para um, pode não ter nenhum significado para o outro.

Em suma diríamos que o aproveitar bem a vida não tem nenhuma conotação com a realização de uma atividade específica padrão ligada a algum evento, a algum fato, mas sim, com a realização pessoal de cada indivíduo, em conseguir fazer exatamente o que gostaria de fazer, com total satisfação. É irrelevante o que seja; o importante é que seja algo que lhe dê plena realização. Isso é aproveitar o tempo que a vida lhe deu, seja o indivíduo pobre ou rico, gordo ou magro, alto ou baixo. Todos têm esse direito e este poder, independente da sua idade, condição social ou financeira, cor, sabedoria ou mesmo do seu conhecimento. 

É o equilíbrio fantástico da vida.

Luiz Roberto Pires Domingues


ATENÇÃO:Os comentários postados abaixo representam a opinião do leitor e não necessariamente do nosso site. Toda responsabilidade das mensagens é do autor da postagem.

Deixe seu comentário!

Nome
Email
Comentário
0 / 500 caracteres


Insira os caracteres no campo abaixo:


Nosso Whatsapp

 88 9 9475 7536

Visitas: 1607352 | Usuários Online: 75

Venha fazer parte da Rádio do Bem, junte-se a nós na missão de semear a Paz e o Bem pelo Planeta. - Todos os direitos reservados

Converse conosco pelo Whatsapp!