Redes Sociais

Nosso Whatsapp

 88 9 9475 7536

Encontre o que deseja

NO AR

TOCA TUDO

    Brasil

Um céu no meio do mato

Publicada em 24/08/16 as 08:03h por Jornal O POVO - 498 visualizações

Compartilhe
   
Link da Notícia:
 (Foto: Rafael Cavalcante)

A maior aventura de João Perdido, ele experimentou depois da morte: transformou-se em santo. O causo sucedeu no Sítio Baixas, localidade das brenhas de Aracati (148,3 quilômetros de Fortaleza), em um tempo que as narrativas, trançadas de geração a geração, fazem para sempre. "Finado Delmiro e finado Enoque contavam essa história", Maria Osair Gomes da Silva, 73, ajeita a roda de cadeiras de balanço no alpendre fresco, para a ciranda da prosa.


Dona Maria enraizou-se de menina, naquele canto do mundo, vindo da Serra Dantas com os pais - dize-se a vivalma mais antiga do lugar. E, por essa época, João Perdido já corria pelas memórias da região. Era um menino que "tinha de 5 a 6 anos", esboça Albano Torquato da Silva, 73, chegando-se lá de dentro da casa sertaneja. Morava no meio daquele mato, aponta dona Maria, numa clareira chamada Belém. E teve a pobreza e a renascença do menino bíblico.


Um dia, contam os Silva, a mãe de João mandou o menino pedir pimenta do reino na casa de uma vizinha. "Aí, ele se ariou e veio pro lado de cá", infere dona Maria. Hoje, a BR-304 faz essa divisão, reparte o que era só mata quando o menino se perdeu e demarca uns três quilômetros de angústia. João vagueou até a morte.


O leitor Francisco Sena Garcia, em comentário sobre o primeiro caderno da trilogia Santificados, no portal O POVO Online, conta 24 dias de padecimento do menino perdido. "Quem encontrou ele era um pessoal que catava algodão... Ele era só o couro com os ossinho, o corpo já tava picado dos urubus", desfia seu Albano. "E enterraram ele lá", completa.


E, debaixo do pé de pau branco, ergue-se uma capelinha e uma devoção. João Perdido "faz muitos milagres para os que acreditam", comenta Francisco Sena. "Qualquer coisinha, eu me valho de João Perdido", "Tenho muita fé em João Perdido, considero ele santo", reforçam dona Maria e seu Albano, santificando o menino por conta do martírio "de fome e sede, aí, foi uma morte muito sacrificada". Seu Albano imagina que tudo se deu na década de 1930.


A mãe de dona Maria, a propósito, zelou a capelinha e o cemitério (que se alinhavou dela) até a derradeira hora, em 1965 (ano em que faleceu). O povo determinou missa na véspera de São João, "porque ele se chamava João". E o menino ganhou divindade com o sobrenome que o destino lhe deu. "Vem muita gente de fora (pagar promessas à sombra do pau branco): Mossoró, Natal, Jaguaruana", sublinha seu Albano.


E, naquele recanto onde o vento é constante, o comércio é uma bodega e o terreiro é varrido todos os dias, no meio do mato e da precisão, criaram um céu para João. "(Os pagadores de promessas) levam bombom, bola, carrinho, essas coisas que criança gosta", observa seu Albano, ao lado da cruz do menino.

 (Ana Mary C. Cavalcante)




ATENÇÃO:Os comentários postados abaixo representam a opinião do leitor e não necessariamente do nosso site. Toda responsabilidade das mensagens é do autor da postagem.

Deixe seu comentário!

Nome
Email
Comentário
0 / 500 caracteres


Insira os caracteres no campo abaixo:


Nosso Whatsapp

 88 9 9475 7536

Visitas: 1606408 | Usuários Online: 23

Venha fazer parte da Rádio do Bem, junte-se a nós na missão de semear a Paz e o Bem pelo Planeta. - Todos os direitos reservados

Converse conosco pelo Whatsapp!