Eles, que migraram do Japão há mais de seis décadas, viviam em Taubaté, interior de São Paulo, mas acabam de se mudar para o Sertão do Ceará para realizar o sonho antigo de plantar figos em uma das regiões mais áridas do Brasil.
De acordo com a filha, Cristina Emi Vianna – uma dos 8 do casal – eles sempre foram muito gratos ao nosso país e a ideia de usar todo o conhecimento como agricultores para plantar uma fruta originária do Oriente Médio no Nordeste foi a maneira que o casal encontrou de retribuir tudo o que o Brasil país fez por eles.
E foi do trabalho na terra que também surgiu a ideia de levar prosperidade ao sertão nordestino, uma das regiões mais pobres do Brasil. “Eles dizem que o Brasil os recebeu de braços abertos e sempre tiveram a vontade de retribuir essa acolhida de alguma forma”, conta Cristina.
“Foi de tanto ouvir relatos de que o Nordeste era uma região onde havia muita desigualdade e muitas pessoas pobres, que eles decidiram fazer algo para, de alguma forma, mudar essa realidade”, afirma o filho mais novo do casal Fernando Yutaka.
Durante mais de 20 anos, eles se prepararam para realizar este sonho. 🥰
Muito desta decisão também veio de uma memória antiga de Takeo, quando um veterano da Associação Rikkouka – responsável pelo processo de imigração ao Brasil na época em que o casal se mudou –, minutos antes de eles entrarem no navio, disse a seguinte frase:
“Vocês japoneses, busquem no Brasil um ideal muito maior do que fazer dinheiro, busquem o ideal de mudar, transformar lugares e pessoas”.
Depois de uma vida de muito trabalho e com os filhos já independentes, chegou a hora de realizar o grande desejo. O que não foi assim tão simples quanto parece, como explica Cristina.
“Eles já são idosos e isso de certa forma nos trouxe receio. Mas entendemos que este sempre foi o grande sonho da vida deles. Não tínhamos o direito de privar a realização desse desejo. Além disso, eles estavam muito determinados e decididos”, explica a filha.
Há 20 anos, Takeo visitou o Ceará para pesquisar melhor sobre a execução de seu sonho e foi nesta viagem que ele decidiu escolher o estado e não qualquer outro do Nordeste brasileiro. E o figo pareceu ser a fruta ideal, uma vez que vem de uma região onde o clima também é árido e semiárido, semelhante ao do Sertão Nordestino.
Em seguida, os próprios filhos ajudaram o casal a escolher uma propriedade na zona rural de Tabuleiro do Norte. E finalmente, em 2019, Takeo e seu filho Fernando partiram rumo à nova fazenda em uma caminhonete, com apenas as roupas do corpo e mudas de figo.
“Quando pisei os pés dentro da minha propriedade, no Ceará, tive a certeza de que fiz a escolha certa. Ali já me senti realizado”, relembra o vovô.
No início de 2020, as primeiras mudas de figo começaram a brotar. No lugar da paisagem árida que costumamos ver pelo Nordeste, mais de 30 hectares de puro verde mostra que, com dedicação, conseguimos realizar até o que parece ser impossível.
“Olhando o verde brotar por aquele chão escaldante, comprovei com meus olhos o que meu pai sempre me dizia: ‘No Brasil não há terra ruim. O que há é terra sem cuidado adequado e falta de dedicação'”, afirmou Cristina.
O solo arenoso foi transformado em área fértil. Hoje, já são mais de 15 mil pés de figo, mas o objetivo do casal é chegar aos 45 mil. Felizes em estarem vivenciando este sonho, eles também estão mudando a realidade de alguns nativos, já que a fazenda gera empregos aos nordestinos.
Mas quem disse que eles estão satisfeitos? O casal ainda pretende criar uma pequena escola para as crianças da região, sobretudo filhos dos agricultores que trabalham com eles.
“Minha mãe visualiza a criação de uma pequena escola para as crianças da região. Já meu pai, quer servir de exemplo para que venham outros empreendedores e unam forças para montarem uma cooperativa de modo a atraírem investimentos e transformarem a região num grande polo de produção de figos e frutas para exportação.”
“Eles sempre reforçam o desejo de retribuir tudo o que receberam do Brasil. Querem deixar um legado e ajudar no desenvolvimento da região onde escolheram morar”, diz Cristina orgulhosa em ver o sonho dos pais se tornando realidade.
A plantação de figos já rendeu algumas colheitas e a meta do casal é exportar os figos ao mercado europeu. Além de buscarem produzir uma fruta de excelente qualidade, o filho Fernando desenvolveu uma espécie de doce de figo desidratado, que já está sendo vendido em São Paulo e Minas Gerais.
Que exemplo de vida e que casal! 😍👏
Fonte: Diário do Nordeste